Tudo ou Nada - Episódio 01

UMA PRODUÇÃO ORIGINAL STAR MAIS

CRIADO E ESCRITO POR FELIPE VASCONCELLOS

SUPERVISÃO DE TEXTO ANTÔNIO VINÍCIUS BARBOSA

TUDO OU NADA

CENA 1. LOJA DE JOIAS. SALÃO. INTERIOR. NOITE.

CAM vai seguindo uma sombra, que passa vagarosamente pela parede, chegando até um pequeno diamante dentro de um vidro. Uma legenda: 10 ANOS ATRÁS; 

Mostrar que o indivíduo também chegou até a joia. Dá bolsa, ele retira um corta vidro, não muito sofisticado. Calmamente ele abre uma tampa do vidro, sem mostrar muitos detalhes, ele já conseguiu abrir sem disparar o alarme. Com rapidez e precisão ele põe outro objeto no lugar do diamante. E sai tranquilamente, eis que tropeça em um balcão, uma coroa que estava pendurada despenca em CAM-lenta, disparando o alarme! O sujeito corre.

CENA 2. RUA ESCURA. CARRO DARWIN. EXT. NOITE.

Aparece correndo o sujeito e se atira dentro do carro, e o motorista que estava à espera sai correndo em disparada, cantando pneu.

CENA 3. CARRO DARWIN. RUAS. EXT. NOITE.

O motorista que o esperava é Darwin, já nervoso com a situação. Agora sim revelar, tirando sua touca ninja: Christian.

DARWIN — (irado) Filho da puta! Você quer me matar do coração?! Quer?!

CHRISTIAN — Relaxa, velho!

DARWIN — Relaxa, relaxa! Diz isso pra minha cueca! Na hora que eu ouvi o alarme apitando, quase que eu te deixo ali mesmo.

CHRISTIAN — Não, cê não ia fazer isso.

DARWIN — Não? Você acha que não, é?!

CHRISTIAN — Sabe por que não ia? Porque você estava esperando que eu chegasse com isso.

Christian mostra que conseguiu roubar a joia. Tá feito à alegria dos dois. 

DARWIN — Aí eu dou valor!! Puto de merda, eu achei que tinha dado errado. Que cê tinha feito cagada, Christian! Mano, cê conseguiu?!

CHRISTIAN — Papai não brinca em serviço, filho!

Ambos ficam felizes da vida e o carro segue seu caminho.

CENA 4. QUARTO DE CASAL. INTERIOR. NOITE.

Giovanni folhando alguns documentos, deitado na cama. Entra com uma roupa sexy, Liége. Ela tenta fazer com que ele a perceba.

LIÉGE — Amor... Querido. Olha aqui, olha.

GIOVANNI — Que é, Liége? Agora, não tô podendo...

LIÉGE — Ah, tira um pouquinho a cabeça de dentro desses papéis, e olha pra mim. Hum...?

GIOVANNI — (grosso) Será que dá pra você entender que isso aqui é meu trabalho, que isso aqui é importante, e que isso aqui paga as nossas contas?

LIÉGE — Tá. Tá bom. Você... me desculpa.

Liége se fecha, contrariada, e irritada.

CENA 5. BOATE. MESA DO CANTO. INTERIOR. NOITE.

Christian e Darwin tomando cerveja num fundo. Darwin falando sem parar e Christian pensativo. 

DARWIN — Sabe por que eu não mijo em mictório? Não é porque eu tenho pau pequeno, não é isso. Eu não tenho. Sim, também não é lá grande coisa, mas o caso é que não me sinto bem. Não fico a vontade. Não dá, não dá nem pra soltar aqueles peidinhos. Porra, eu fico chateado com essa história. Imagina... (percebe que Christian tá no mundo da lua) Christian!

CHRISTIAN — Que foi cara?

DARWIN — Como que foi cara!? Tá aí com essa cara de sonso. Tá pensando no que?

CHRISTIAN — Tô pensando na mixaria que a gente vai conseguir com essa pedra.

DARWIN — Mixaria? Meu irmão, se a gente vender bem isso aqui, a gente vive legal uns três meses.

CHRISTIAN — É isso, Darwin! Esse é o problema. Três meses! É muito risco pra pouco.

DARWIN — Ai, olha a ganancia. Tá! Tá querendo desistir?

CHRISTIAN — Não! Pelo contrário... Eu quero mais. Quero ser reconhecido.

DARWIN — Jesus Cristo, ô garçonete, cancela a bebida aqui, por favor! Christian, olha o que cê tá dizendo? Quer ser reconhecido pra quê? Pros homi te achar mais fácil?

CHRISTIAN — Não, quadrupede! Deixa eu te falar dois nomes, tá!? Gerson Bilheri. Conhece?

DARWIN — Conheço.

CHRISTIAN — Legal, quem é ele?

DARWIN — Ladrão de joia.

CHRSTIAN — Agora, Pedro Pedri!

DARWIN — Ladrão de joia.

CHRISTIAN — Tá vendo? É isso! É isso que eu tô falando. Esses caras são conhecidos no nosso ramo por roubarem as joias mais caras. E é isso que eu quero fazer.

DARWIN — Christian, é loucura, cara. Bateu a cabeça quando saiu correndo de lá? Um desses caras tá preso, e o outro cumpriu 15 anos de cadeia...

CHRISTIAN — Oito. Saiu por bom comportamento.

DARWIN — Que seja! É isso que cê quer? Entrar em cana? Virar mocinha na cadeia? Com esse teu olhar pimpozo aí, vai fazer muito sucesso.

CHRISTIAN — Com isso tudo que eu falei, quero dizer que a gente tem que expandir. Mirar em algo muito mais valioso.

DARWIN — Eu acho que eu sei onde cê quer chegar. Hoje de tarde, cê viu no jornal que aquele colar está pra chegar no Brasil, e que ele vai ficar um tempinho em exposição aqui no museu de Miripituba. É nele que você quer mirar, não é?

Christian solta um risinho; e faz um olhar de confirmação.

DARWIN — Só tenho uma coisa pra te dizer: tô fora!

CENA 6. LOJA ROUPAS MASCULINAS. INT. DIA.

Liége no caixa revisando algumas coisas. Chega até ela uma atendente de nome Ana, acompanha Willian.

ANA — Dona Liége! Com licença; esse aqui é o Willian, e ele gostaria de falar com a senhora.

LIÉGE — Ah. Olá.

WILLIAN — Bom dia! A senhora que é gerente da loja?

ANA — Com licença! (sai)

LIÉGE — (p/ Willian) Sim. E não precisa me chamar de senhora. A Ana que é assim muito formal; mas é uma ótima pessoa. (rir) Você é o que está interessado na vaga? Que eu falei por telefone?

WILLIAN — Eu mesmo.

LIÉGE — Bacana. Eu adorei o seu currículo. Já trabalhou em lojas muito conhecidas. Eu estou interessa em fazer um teste com você durante uns dias, quê que você acha?

WILLIAN — (transpirar ansiedade) Acho bom. Eu tô... tô bastante... ansioso. Digo, animado.

LIÉGE — Tá nervoso? Calma. Tá tudo tranquilo.

WILLIAN — Tô. Tô nervoso. É que eu quero muito essa vaga e a senhora... digo, você é muito bonita. E eu fico nervoso com esse tipo de coisa.

LIÉGE — Nossa. Obrigada. Não lembro mais quando foi à última vez que recebi um elogio.

WILLIAN — Imagina. Tão linda, e com uma frequência grande de homens que entram nessa loja, não é possível... 

Liége solta um risinho bobo, ele a encara com um olhar sedutor.

CENA 7. QUARTO MOTEL. INTERIOR. DIA.

sem mostrar as partes íntimas, Liége e Willian no meio de um sexo selvagem. Nas mais variadas posições: Ele por cima, ela por baixo; na beira da cama; tapas e beijos rolando. Corta para: sexo terminado. Liége ofegante, realizada, acabou ter um orgasmo, de olhos fechados curtindo o momento. Willian orgulhoso do seu desempenho.

LIÉGE — (ofegante) Eu... eu nunca... Nunca imaginei que isso pudesse... ai... Não consigo... nem falar.

WILLIAN — Calma... respira. Respira, descansa, porque daqui a pouco tem mais uma paulada.

Risos dos dois. Ele a beija.

CENA 8. BAR DO FINO. BALCÃO. INTERIOR. DIA.

Darwin jogando em uma máquina caça-níquel, enquanto Christian fala com Fino.

CHRISTIAN — (insistente) Qual é, Fino?! Alguma informação, qualquer coisa já ajuda.

FINO — Christian, salta fora, meu chapa! O roubo desse colar já tá encomendado faz tempo. Coisa de gente graúda. Não ladrãozinho pé de chinelo.

CHRISTIAN — O dia que eu estiver com esse colar na mão, você vai ver quem é o pé de chinelo. 

DARWIN — (se aproximar) Não sei por que dão tanta importância pra um simples colarzinho.

CHRISTIAN — Darwin, se antena, moleque! Não é só um colarzinho. Este colar é segunda posição na seleção dos 10 colares mais caros do mundo, e é verdadeiramente único.

FINO — Sabe por que espertinho? Ele tem torno de 140 quilates em formato de pera, o formato de almofada e também os diamantes em forma de lágrima, todos são simplesmente definidos em platina em algo de múltiplas vertentes.

CHRISTIAN — O colar Neil Lane‟s tem o valor de 4 milhões de dólares. Se em dólares já é milhões imagina em reais, faz as contas.

DARWIN — (surpreso) 4 milhões...?! Aí eu dou valor.

FINO — Parem de sonhar. Escuta, eu fiquei sabendo quem vai pegar essa joia. Na primeira noite que ela passar aqui na cidade.

CHRISTIAN — Quem?

FINO — Iuri Delt.

CHRISTIAN — Quem é esse Iuri Delt?

FINO — Que gente desinformada. Iuri Delt é um ladrão que só rouba por encomenda. Um magnata pede, paga, e ele rouba. Simples assim.

CHISTIAN — Hum... Interessante.

CENA 9. RUA. EXTERIOR. NOITE.

Christian e Darwin indo em direção do carro. 

DARWIN — Que ideia mais idiota, Christian!

CHRISTIAN — Pensa comigo, Darwin! Porque invadir um lugar repleto de segurança, e alarme, e aquelas paradas todas de "pega-ladrão", se a gente pode simplesmente roubar desse tal de Iuri?! Hum? Ele faz todo o serviço pra nós, a gente dá um cambão nele, pega a joia e desfruta de lindos 4 milhões de dólares... Imagine, 2 milhões de dólares pra cada. Hã?! Não... é muita grana... Aí, sim. Realmente a gente ia tirar o pé dá lama de vez. E eu tô achando que é aí, tô sentindo que é aí a nossa oportunidade de conquistar algo que realmente vale a pena. Tá comigo ou não tá?

DARWIN — Tô sentindo que vou cair numa furada. Isso sim.

CHRISTIAN — Tá comigo ou não tá, caralho?

DARWIN — (tempo) Tá, tá... tô, tô. Esse colar aí tá pra chegar daqui dois meses. Vamos embora, que eu tô com fome. Será que a tia da bisnaguinha recheada tá aberta? Que vontade...

Eles saem com o carro, tranquilos.

CENA 10. QUARTO DE CASAL. INTERIOR. NOITE.

Giovanni lendo um livro, entrar Liége aos risos no telefone. Ela para de rir quando vê seu marido.

LIÉGE — (tel.) É, então tá, amiga. A gente fala melhor sobre isso amanhã. Beijo. (desliga) Belinha. Ela estava me contando um caso que aconteceu com ela. Ué, estrando você em casa essa hora. Nem vi você chegar. 

GIOVANNI — Pois é, essa vida de advogado. Ganhei um processo. Me livrei mais cedo.

LIÉGE — Jura? Que bom. Eu já coloquei as crianças na cama. A Thayliz estava com uma dor forte no estomago, hoje, tadinha. E o Aleff quer comprar um celular novo, o dele está com problema.

GIOVANNI — De uns tempos pra cá você anda bem falante, né?! Com sorriso no rosto. Brilho diferente no olhar.

LIÉGE — Que bobagem, Giovanni. Deu pra reparar em mim, agora. Tô feliz. Só isso.

GIOVANNI — (intrigado) Tem motivo essa felicidade toda?

LIÉGE — Que pergunta. Eu amo meu trabalho, amo minha casa, amo meus filhos, amo você... Se eu não estivesse feliz, não sei o que eu estaria. E porque esse tom de desconfiança?

GIOVANNI — Não tô desconfiado. Tô curioso.

LIÉGE — Sei...

CENA 11. LOJA ROUPAS MASCULINAS. CANTO. INT. DIA.

Liége puxou Willian para uma conversa.

LIÉGE — Meu marido tá desconfiado!

WILLIAN — Mas esse boi tá desconfiado do quê?

LIÉGE — Para, não fala assim. Ah, porque ele

achou que eu tô alegre demais nesses últimos tempos.

WILLIAN — Ah, já sei. É que antes deu aparecer você tinha cara de malcomida. Agora, não mais. 

LIÉGE — Willian! Manera!

WILLIAN — Tá, desculpa. Mas eu não posso ficar sem você, Liége! Por favor...

LIÉGE — Eu acho melhor a gente dar uma acalmada. Um tempo.

WILLIAN — Tá! Não vou discutir com você. Mas você vai ter que fazer uma coisa. Uma coisa que nunca fizemos esse tempo todo que estamos juntos.

LIÉGE — Willian, não insiste, o cuzinho eu não vou te liberar.

WILLIAN — Não, não é isso. Bem que poderia ser, né?! Mas não é! Eu quero jantar com você! Eu conheço um lugar ótimo, bem longe. Que é pra não sermos vistos juntos.

LIÉGE — Tá legal. Eu vou inventar uma desculpa pro Giovanni. E aí, a gente vê isso.

WILLIAN — Sexta-feira, agora. Essa semana.

LIÉGE — Pode ser.

WILLIAN — E depois da janta... (Insinua sexo)

LIÉGE — Ok... a última. Vai trabalhar.

CENA 12. PARQUE. BANCO. EXTERIOR. DIA.

Christian lendo um jornal. Darwin alimentando os pombos.

DARWIN — Será que se eu matar um pombo, eu vou preso? Acho que não, né?! É como matar uma galinha. Tô louco pra dar uma pedrada naquele ali. Bem gordo. Vontade de botar numa panela. Fazer aquele arroz com.../ ah, que fome.

CHRISTIAN — Para de viajar. Se liga aqui! É nessa sexta! O colar Neil Lane‟s chega nessa sexta pra exposição. Já tá tudo bolado na minha cabeça.

DARWIN — Você ainda não desistiu disso, mano?!

CHRISTIAN — Claro que não! Esse colar é a nossa ascensão!

DARWIN — Ascensão? Hum, tá. ... Como eu queria um estilingue agora. Me alcança aquela pedra, ali.

CHRISTIAN — Não. Para quieto. Deixa esse bicho.

CENA 13. QUARTO DE CASAL. INTERIOR. NOITE.

Liége comunica seu marido Giovanni, que folheia algumas folhas.

LIÉGE — Amor, amanhã vou jantar com algumas amigas, tá? A Leninha chegou de viajem ontem, e a gente quer comemorar, se encontrar, falar bobagem.

GIOVANNI — Nem sabia que a Leninha tinha ido viajar.

LIÉGE — Pois é. Austrália. Chegou, não faz muito. Queremos fazer fofoca, trocar novidades. Você se importa?

GIOVANNI — Não.

LIÉGE — Ótimo.

FIM DO PRIMEIRO EPISÓDIO

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