Tudo ou Nada - Episódio 02

UMA PRODUÇÃO ORIGINAL STAR MAIS

CRIADO E ESCRITO POR FELIPE VASCONCELLOS

SUPERVISÃO DE TEXTO ANTÔNIO VINÍCIUS BARBOSA

TUDO OU NADA

CENA 1. MUSEU. FRENTE. EXTERIOR. NOITE.

Com o carro estacionado ao longe, estão Christian e Darwin observando.

CHRISTIAN — Certeza de que ele vai aparecer.

DARWIN — Tô achando isso tudo uma furada. Tô com uma coceira. (coçar)

CHRISTIAN — Que quê é? Pulga? Chato?

DARWIN — Sei lá, deve ser. Dizem que Deus fez tudo perfeito, taí uma coisa que ele poderia ter feito melhor né?! O saco pro lado de dentro. Essa coisa pro lado de fora só serve pra coçar e pra mulher ter onde chutar.

CHRISTIAN — Eu fico impressionado com a quantidade de abobrinha que você consegue dizer em cinco em cinco minutos. Dá pra calar a boca?

DARWIN — Seria difícil calar o nariz... Cassete. Olha o teu amigo lá.

De longe eles conseguem ver um vulto caminhando no terraço do museu.

CHRISTIAM — É ele mesmo. Agora, só esperar e ver por onde ele vai sair.

CENA 2. RESTAURANTE. INTERIOR. NOITE.

Liége e Willian já estão na sobremesa.

WILLIAN — Tá bom pra nosso primeiro jantar.

LIÉGE — Perfeito.

WILLIAM — Que falou pro teu marido?

LIÉGE — Falei que ia encontrar uma amiga que há muito tempo não via. Ele acreditou.

WILLIAM — Adoro esse tipo manso.

CENA 3. QUARTO CASAL. INTERIOR. NOITE.

Giovanni ao computador, navegando nas redes sociais. Estranha ao ver uma foto de Leninha em outra cidade. 

GIOVANNI — Ué! Leninha... em Salvador? Mas se a Leninha está em salvador, com quem que a Liége está?

CENA 4. QUARTO MOTEL. INTERIOR. NOITE.

William e Liége transando. Ele por cima dela, beijando seu pescoço. O celular de Liége começa a tocar, uma chamada de seu marido. No celular dela, uma foto de Giovanni com as escrita: Amor. Ela corta o embalo dos dois.

LIÉGE — Para, para, para... deixa eu ver. É meu marido.

WILLIAN — Ah, não. Quê que esse cara quer? Tá cedão ainda.

LIÉGE — Fica quieto. Eu vou atender. Ai... ai. Deixa eu ganhar folego. ... (atender) Oi, amor!

Alterna: Giovanni na linha, curioso.

GIOVANNI — (cel.) Liége, com quem que cê tá?

LIÉGE — (cel.) Porque a pergunta, Giovanni? Eu te disse que ia me encontrar com minha amiga, a Leninha.

GIOVANNI — (cel.) E por um caso você tá em Salvador? Porque eu tô vendo uma foto aqui da Leninha que ela acabou de postar, em Salvador.

LIÉGE — (cel.) Não... não pode ser. Tem certeza?

GIOVANNI — (cel./alterado) Você tá me fazendo de idiota?

LIÉGE‟ — (cel.) Não, claro que não, Giovanni! Não precisa gritar!

GIOVANNI — (cel.) Onde você tá e com quem?

LIÉGE — (cel./nervosa) Eu tô... eu tô... tá bom, vou falar a verdade. Eu não queria ter mentido pra você, mas... Eu tô com a mamãe. É. Eu tinha que trazer ela aqui num lugar, aqui em outra cidade, longe pra caramba. Porque ela queria vir num candomblé.

GIOVANNI — (cel./surpreso) Como é que é?

LIÉGE — (cel.) É, é isso. Ela se sentiu envergonhada. Ela queria muito vir aqui nessa reunião, ela insistiu que eu mentisse. Não pensa bobagem.

GIOVANNI — (cel.) Pelo amor de Deus, Liége, você quer que eu engula isso?

LIÉGE — (cel.) É verdade, meu amor! É a verdade.

GIOVANNI — (cel./off) Põe ela na linha aí. Quero falar com ela!

LIÉGE — (cel.) Não! Ela não pode saber que eu te contei.

GIOVANNI — (cel./ameaça) Se você não por a sua mãe na linha eu acabo com a tua vida!

LIÉGE — (cel.) Giovanni, depois eu te passo ela. Ela tá incorporada.

GIOVANNI — (cel.) Liége, Liége... me diz onde é! Eu tô indo pra aí! Me dá o endereço!

LIÉGE — (cel.) Não! Ela me mata!

GIOVANNI — (cel./irritado) Quem vai te matar sou eu, sua vagabunda! Deve estar na cama com outro macho!

LIÉGE — (cel.) Para, para com isso! Não inventa história!

GIOVANNI — (cel.) Se você não aparecer aqui em casa com a tua mãe, eu vou te matar desgraçada! (desliga)

LIÉGE — (cel.) Giovanni, Giovanni... (desliga) Droga! Que mancada!

WILLIAN — Que foi? Ela descobriu?

LIÉGE — Não acredito! Candomblé?

WILLIAN — Calma!

LIÉGE — Eu poderia ter inventado qualquer outra coisa, menos essa estupidez!

WILLIAN — Você estava nervosa, volta pra cama!

LIÉGE — Eu tenho que ir pra casa da minha mãe, agora!

WILLIAN — O quê? Não! Vai ficar comigo! 

Liége as pressas começa se vestir, nervosíssima.

LIÉGE — Para! Eu não posso! Eu tenho que salvar meu casamento! Minha família, Deus me livre!

WILLIAN — Tá bom, tá bom... Ao menos vem aqui terminar o que a gente começou! Para de botar a roupa.

LIÉGE — Eu tenho que chegar na casa da minha mãe antes do meu marido.

WILLIAN — Peraí, eu ainda nem gozei! Vai me deixar na mão. Olha como é que eu tô.

LIÉGE — Se vira! 

Liége sai correndo.

WILLIAN — Porra do caralho...

CENA 5. QUARTO CASAL. INTERIOR. NOITE.

Giovanni tentando falar com Iane por telefone.

GIOVANNI — Atende! Atende, velha desgraçada. Ah, se ela atender, é hoje que eu como o fígado de uma! Ah! (desligar) Eu vou lá! 

Giovanni pega as chaves e sai às pressas.

CENA 6. MUSEU. LOCAL DO COLAR. INTERIOR. NOITE.

O colar Neil Leni‟s lindo, brilhante... dentro de um cubo de vidro. Iuri com apetrechos dignos de um profissional consegue fazer um buraco no cubo, e com outro utensilio consegue pegar o colar, com uma maquininha moderna ele desativa sensor. Tira o colar. Um guarda se aproxima. Iuri põe o colar no lugar novamente e se esconde. O guarda passa, olha o colar e sai. Iuri retira a joia, e sai sorrateiramente.

CENA 7. BECO. EXTERIOR. NOITE.

Iuri chega até seu carro, de surpresa encosta uma arma na cabeça dele antes de entrar no carro. Revelar Christian; e Darwin acompanha.

CHRISTIAN — Quietinho. Se quiser continuar vivo, passe a joia. Agora.

IURI — Calma, vamos conversa.

DARWIN — Não ouviu ele dizer agora, rapâ?! Passa o colar!

IURI — Eu só tenho que pegar... calma.

CHRISTIAN — Sem gracinha, se não meto uma bala na tua cabeça.

DARWIN — É... isso aí. Vai voar miolo pra tudo quanto é lado!

CENA 8. MUSEU. LOCAL DO COLAR. INT. NOITE.

O guarda se aproxima do colar, e constata que sumiu.

GUARDA — Eita porra...!

CENA 22. BECO. EXTERIOR. NOITE.

Iuri indo pegar o colar para entregar.

IURI — Calminha.

Começa a soar o alarme do museu. Iuri rapidamente avança em Christian que entram em luta corporal. A bolsa cai em um canto, Darwin dá uma paulada em Iuri, que cai para um lado.

DARWIN — (ajuda Christian a levantar) Vamos cara! Christian pega a bolsa com o colar e sai correndo com Darwin, e Iuri fica deitado no chão com muita dor na cabeça...

IURI — Malditos, desgraçados... Eu mato vocês.

CENA 9. RUA. EXTERIOR. NOITE.

Christian e Darwin correndo.

DARWIN — Vamos pro carro!

CHRISTIAN — Não!

Eles param de correr! A polícia passa correndo de carro na frente deles.

CHRISTIAN — A polícia tá na área.

DARWIN — Fudeu! E agora?

CHRISTIAN — Cada um para um canto! O que se salvar ajuda o outro depois! Fechou?

DARWIN — Fechou! (sair correndo) Boa sorte, velho!

CHISTIAN — Encontro no barraco!

Cada um vai para um lado.

CENA 10. CASA IANE. FRENTE. EXTERIOR. NOITE.

Liége empurrando sua mãe Iane para seu carro.

IANE — Inferno! Porque tinha que inventar essa história? Já não atendi o telefone pra não ser incomodada, agora isso.

LIÉGE — Por favor, mãe, eu tô te pedindo, te implorando, salva meu casamento!

IANE — Você sabe que eu detesto caridade! Só vou fazer isso por causa do escândalo. Ficar mal falada. Fica dando esse rabo aceso, agora eu tenho que resolver. Que inferno!

Liége conseguiu coloca-la dentro do carro, e já sai com o carro em disparada. Tempinho depois, chega Giovanni de carro. Ele desce e vai para a campainha da casa.

GIOVANNI — Será que essa velha taí?

Ele começa a bater palma.

CENA 11. VIELAS. EXTERIOR. NOITE.

Christian correndo dos policiais. Entra em cada beco para não ser pego, os policiais vem atrás. Ele consegue pular um muro, com dificuldade, mas consegue. Os policiais não conseguem.

CENA 12. CASA EM OBRAS. FRENTE. NOITE.

Christian aparece correndo. Ele para na frente da casa, olha em volta e consegue pular o portão da casa. E os policiais vêm atrás, mas não entram na casa.

CENA 13. CASA EM OBRAS. SALA. NOITE.

Christian entra apavorado, fugindo. Olha em volta.

CHRISTIAN — Droga, droga...

Christian sobe as escadas até o segundo andar, entra em um dos quartos.

CENA 14. CASA EM OBRAS. QUARTO. NOITE.

Christian entra no quarto. Vai até a sacada, vê que a frente da casa está tomada de polícia. Ele volta para dentro.

CHRISTIAN — Que eu faço? Que eu faço?

Christian olha em volta, e há uma tampa de ventilação na parede. Ele sobe encima de uma mesa que pedreiros usam para subir e tira essa tampa. Tira o colar de dentro da bolsa.

CHRISTIAN — Meu Deus, como é lindo.

Christian beija o colar, e o esconde ali, em um cantinho dentro do duto. Fecha com a tampa, desce. Dá uma olhada na sacada e antes de sair do quarto dá mais uma olhada para o local.

CENA 15. RUA ESCURA. EXTERIOR. NOITE.

Christian pula o muro, e cai nessa rua. Ele vê um carro estacionado. Quebra o vidro do carro, soa o alarme. E ele entra no carro, rapidamente arranca o compartimento da fiação do carro e faz uma ligação direta. A polícia aparece atrás, e vem em direção a ele.

POLICIAL — Ele está aqui!

Christian consegue ligar o carro e sai com ele disparado.

CENA 16. RUAS. EXTERIOR. NOITE.

Christian em fuga da polícia, faz manobras arriscadas. A polícia vem a toda atrás dele. Faz uma curva, quase vira o carro. A polícia sem desistência continua a perseguição. Alterna com: Em outra rua: Liége com sua mãe no carro.

IANE — Porque você insistiu em me meter no meio dessa tua saliência?

LIÉGE — Desculpa! Foi a primeira pessoa que me passou na cabeça. Ai, se arrependimento matasse.

IANE — Se arrependimento matasse quem estaria morta era eu, por ter colocado uma mulher infiel e vadia como você, no mundo!

LIÉGE — Eu só não respondo como merece porque você seria incapaz de entender os meus reais motivos!

IANE — Ah, que nada. É porque você está com o rabo preso e eu sou a tua única salvação.

Em outra rua: Christian continua fugindo da polícia, que dessa vez começa a atirar no carro dele.

CHRISTIAN — Caralho, caralho, caralho... a bala tá comendo. Caralho, caralho, caralho...

Christian nervoso, andando em ziguezague.

CENA 17. CRUZAMENTO. EXTERIOR. NOITE.

Semáforo com o vermelho acesso. Liége para com seu carro, sua mãe do lado de ti-ti-ti. O semáforo se liga verde. Da outra rua, vem correndo com o carro Christian, pra ele vermelho, mas ele vem a todo. Liége arranca com o carro e o carro de Christian lhe acerta em cheio do lado do banco do carona. O acidente tá feito, os carros se arrebentam com o impacto. Clima de tensão. CAM do alto mostrar o acidente, a polícia chegando, vai descendo até encontrar com Liége e Iane dentro do carro machucadas e desacordadas.

FIM DO EPISÓDIO
!DOCTYPE html> Botões de Navegação

نموذج الاتصال