Tudo ou Nada - Episódio 03

UMA PRODUÇÃO ORIGINAL STAR MAIS

CRIADO E ESCRITO POR FELIPE VASCONCELLOS

SUPERVISÃO DE TEXTO ANTÔNIO VINÍCIUS BARBOSA

TUDO OU NADA

CENA 1. CRUZAMENTO. EXTERIOR. NOITE.

Corpo de bombeiros no local do acidente. Muita movimentação. Paramédicos tentando socorrendo Iane, ainda desacordada. Do outro lado, recuperando a consciência está Liége, com dois bombeiros tentando reanima-la. Efeito em CAM embaçada. Liége confusa, CAM-objetiva; Liége com a visão turva, ganhando sentido.

LIÉGE — (zonza) Que aconteceu? Onde... onde...

BOMBEIRO — Fica calma! Mantenha a calma. Você consegue me entender? Eu preciso que você fique acordada! Você consegue responder algumas perguntas?

LIÉGE — É, sim. Acho que sim... Minha mãe?

BOMBEIRO — Como você se chama?

LIÉGE — Liége. Liége. Meu nome é Liége.

BOMBEIRO — Idade, Liége?

Liége continua desnorteada. Vamos ao carro onde está Christian. Os bombeiros retiram Christian de dentro do carro com cuidado, ele está acordado, consegue sair andando e é posto em uma maca. Liége consegue sair andando de dentro do carro também.

LIÉGE — A minha mãe? (chorando) A minha mãe, como ela tá, gente?

BOMBEIRO — Não se preocupe, vamos cuidar dela. Se acalme. Vai ficar tudo bem.

LIÉGE — A culpa é minha, a culpa é minha.

Liége se senta na ambulância. Perto dela um policial passa ao celular.

POLICIAL — (cel.) Eu vou me atrasar, amor. A gente estava em perseguição policial. O vagabundo roubou um troço valioso, pegou um carro, cruzou o sinal vermelho e acertou em cheio um carro aqui na Avenida Principal. Sim... é....

Ele se afasta, Liége põe as mãos na cabeça não acreditando nessa situação. A partir desse momento, CAM-lenta: Liége segue seu olhar para frente, percebemos que ela avistou algo, mostrar Christian sendo atendido pelos paramédicos; ele está sentindo dores, isso faz com que ele olhe em volta e perceba que Liége está olhando para ele. Marcar esse momento. Corta com Giovanni chegando até Liége, ele bem preocupado.

GIOVANNI — Liége! Liége! (chega) Como você tá? Se machucou muito? Bateu a cabeça...?

Ele a abraça.

LIÉGE — Sim... É. Foi uma pancada horrível.

GIOVANNI — (preocupado) Mas tá sentindo alguma coisa? O que é? Pode falar!

LIÉGE — Não, não... eu quero saber da minha mãe. Como ela tá?

GIOVANNI — Eu não sei. Eu não sei! Eu vou procurar saber. (abraça-a) Meu Deus, Liége! Que susto... Meu amor, eu prometo nunca mais duvidar de você! (ao paramédico do lado) Cuida dela, por favor!

Giovanni sair. Liége procurar novamente por Christian, passando por ela, acompanhado da policia e paramédicos, ele toca na mão dela.

CHRISTIAN — Desculpa.

Já sem tempo, ele é levado por uma ambulância, que estava perto dela. Liége ainda atordoada, não consegue assimilar as coisas.

CENA 2. AMBULÂNCIA. EXTERIOR. NOITE.

Em movimento. Christian deitado, levando curativos nos ferimentos.

CHRISTIAN — Merda... que foi que fiz? Merda...

CENA 3. HOSPITAL. SALA ESPERA. NOITE.

Giovanni a espera de notícias. Liége aparece acompanhada de uma enfermeira.

GIOVANNI — Liége! Amor. E aí, como tá?

LIÉGE — Tô bem. Só algumas escoriações.

GIOVANNI — Ainda bem. Desculpa ter duvidado de você. É que você mentiu, e eu pensei.../

LIÉGE — Tudo bem, Giovanni. Não tem problema. Eu tô preocupada mesmo é com a mamãe. Não sei como ela tá. Eles não me falaram nada?

GIOVANNI — Me disseram que ela foi pra ala de cirurgia.

LIÉGE — (chorando) Ai, meu Deus... tomara que ela fique bem.

GIOVANNI — Calma. Vai dar tudo certo. Você quer ir pra casa, tá cansada?

LIÉGE — Não. Eu não vou conseguir descansar se ficar sem notícias. Eu vou ficar aqui!

CENA 4. HOSPITAL. QUARTO. INTERIOR. DIA. 

Christian deitado, algemado na cama. Entra o delegado Meier.

MEIER — É, cara, você causou maior rebuliço essa noite. Tá feliz? ... Eu imagino que não.

CHRISTIAN — Não falo nada sem estar na presença do meu advogado.

MEIER — Hum... advogado. Ele quer advogado. Advogado nenhum vai conseguir te livrar da cadeia depois de tudo que cê aprontou hoje. Em outras palavras você tá bem fudido. Mas a coisa pode aliviar pro teu lado, é. Primeiro você pode dizer onde está o colar. Sim, porque você sabe que esse colar é muito valioso, e se entregar ele pra gente você pode evitar uma grande dor de cabeça pra todo mundo. Inclusive pra você.

CHRISTIAN — Só falo na presença do meu advogado.

MEIER — (tom ameaçado) Se eu fosse você, entregava logo o jogo. Até mesmo porque essa notícia do roubo dessa joia vai vir à tona, em rede nacional, até internacional. E a pena vai ser muito rigorosa, sobre tudo o acidente que você causou.

CHRISTIAN — Só falo na presença do meu advogado.

MEIER — (esgota paciência) É papagaio, agora? Eu já estava deitado na minha cama, me preparando pra fazer um belo sexo com a minha mulher, me ligaram pra eu vir até aqui te convencer a fazer o que vai ser melhor pra todos. Não vale a pena se calar agora, cara!

CHRISTIAN — Eu falo na presença do meu.../

MEIER — (corta gritando) NÃO BRINCA COMIGO, RAPAZ! Seja homem! ... (mais calmo) O assunto é sério. Eu odeio me exaltar.

Os dois ficam se encarando.

MEIER — (cont.) Eu vou fazer duas perguntas. Dependendo das respostas, você pode se dar muito, mas muito mal. ... Qual é o nome do teu comparsa, que te ajudou no roubo? E onde está esse bendito colar?

Christian fica calado um tempo, olhando para o delegado e enfim responde:

CHRISTIAN — Eu... só falo na presença do meu advogado.

Delegado Meier fica encarando ele, sem demonstra, mas está louco para pegar Christian pelo pescoço.

MEIER — É assim? Então tá. (retirar-se, mas antes) Reze, reze pra essa mulher do acidente não morrer.

O delegado sai. Christian na dele, pensativo.

CENA 5. HOSPITAL. SALA MÉDICO. INTERIOR. DIA.

Liége e Giovanni diante do médico que fez a cirurgia em Iane.

GIOVANNI — Doutor, passamos a noite aqui.

LIÉGE — Na maior angustia. Fala, como é que está a minha mãe?

DOUTOR — (dar a boa notícia) Felizmente ela não corre nenhum risco de morte.

JUNTOS — Graças a Deus!!

DOUTOR — Porém, eu chamei vocês, aqui na minha sala, porque o caso é sério.

LIÉGE — (nervosa) Ai, doutor, não faz assim... Eu já estou me sentindo culpada só pelo fato da minha/

DOUTOR — (corta) Olha, você vai precisar ser forte.

LIÉGE — (impaciente) Eu sou forte! O quê que tá acontecendo?

GIOVANNI — Liége, se acalma... Deixa o médico falar.

DOUTOR — Com a força do impacto, sua mãe fraturou uma parte da coluna que é irreversível.

LIÉGE — Isso quer dizer que ela vai sentir dores nessa região da coluna, pra sempre? É isso?

DOUTOR — Também. Além disso, ela vai se privar do movimento das duas pernas.

LIÉGE — (chocada) A... a... a minha mãe não vai poder mais andar...?

DOUTOR — Ela vai ficar paraplégica pra sempre. O clima de tensão pesa. Liége completamente em estado de choque, sabe que a culpa é dela. Respiração forte, o choro vem atrás. Chorar, e muito. 

Giovanni abraça-a, já está aos soluços.

LIÉGE — Não, não. Não pode... não pode ser...

Liége continua desesperada. Giovanni tenta conforta-la.

CENA 6. QUARTO CASAL. INTERIOR. DIA.

Liége sentada numa poltrona, inchada de tanto chorar. Giovanni entrar.

GIOVANNI — Eu trouxe um sanduiche. Tá mais calma?

LIÉGE — ... A culpa foi minha.

GIOVANNI — Não, Liége. Aquele maluco que avançou o sinal vermelho.

LIÉGE — Minha mãe vive sozinha. Como é que ela vai fazer? Eu vou ter que cuidar dela. Ela vai ter que morar com a gente.

GIOVANNI — (não gostou da ideia) Tudo bem. Eu acho que ela pode morar com a gente, com as crianças.

LIÉGE — Vamos ter que nos mudar. Ir pra uma casa maior.

GIOVANNI — Eu tenho uma grana guardada. Acho que dá pra comprar uma boa casa. A gente vende essa, vende a da tua mãe, a gente se vira. Só não quero que você fique com esse sentimento de culpa. (abraça-la) Come o sanduiche, come.

CENA 6. TRIBUNAL. INTERIOR. NOITE.

Christian sendo julgado, seu advogado do lado. Juiz pronto para dar-lhe a sentença ao réu.

OFICIAL — Todos de pé para ouvir a sentença.

Todos se prontificam. O juiz começa:

JUIZ — Por fazer uso ilegal de invasão de propriedade, e furtar uma colar de características valiosas; por danificar e roubar veículo; por se recusar a informar as autoridades o paradeiro da peça e de seu cúmplice; por causar danos a patrimônios públicos e; também, danos físicos as pessoas... 

CHRISTIAN — (pensando) Onde será que aquele miserável do Darwin tá, que desgraçado, conseguiu fugir. 

O advogado de Christian cochicha em seu ouvido:

ADVOGADO — Relaxa. Se for condenado, pegará 3 anos, e sair em 1,5 por bom comportamento.

JUIZ — Declaro o réu: culpado. Condeno a 10 anos em regime fechado. Ainda aplico-lhe uma multa de 10mil reais pelos estragos públicos, e 15mil reais para as pessoas vítimas da causalidade. (bate o martelo!)

Christian olha para seu advogado, que faz uma cara de “foi mal”. Os policiais chegam até Christian, enquanto é algemado ele vê Darwin sentado nas cadeiras, onde estava assistindo o julgamento. Darwin faz uma cara de “putz”. Christian é levado.

CENA 7. PLANO GERAL DA CIDADE. EXTERIOR. DIA.

MESES DEPOIS.

CENA 8. PENITENCIÁRIA. SALA VISITA. INTERIOR. DIA.

Christian recebe visita de Darwin.

DARWIN — Cara só agora eu consegui aparecer!

CHRISTIAN — Estava na hora, porque demorou tanto?

DARWIN — A gente tá fudido, cara! Eu sabia que isso ia dar merda!

CHRISTIAN — Que foi, droga?

DARWIN — O cara que a gente pegou a joia!

CHRISTIAN — Fala baixo. O tal Iuri?

DARWIN — (tenso) Esse mesmo. Ele tá na nossa cola. O cara é casca grossa. Ele sabe que foi a gente que pegou o colar dele. E sabe que você pegou dez anos de cadeia por não ter devolvido a porcaria desse colar. Todo mundo sabe que só você sabe onde tá essa joia. Não é?! Eu preciso que você me diga.

Christian hesita.

DARWIN — Christian... Christian, você não tá entendendo a gravidade da situação, mano. Esse Iuri vai acabar matando a gente.

CHRISTIAN — Não vai me matar sem antes eu contar onde está o colar. Ele não pode me matar se não o colar morre também!

DARWIN — Morrer é uma das últimas coisas que você precisa se preocupar! Eu tô falando de tortura. (desistir) Ah, cara, tá! Eu sei que você não vai falar. Tá bom! Eu preciso desaparecer por um tempo. Quando as coisas se acalmarem eu volto com novidades.

CHRISTIAN — Tá. Te cuida.

DARWIN — Eu trouxe cigarros.

CHRISTIAN — Eu não fumo.

DARWIN — Cigarros na cadeia valem ouro, porra!

CHRISTIAN — Ah, tá. Tá, tá...

Eles se despedem.

FIM DO EPISÓDIO
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