Tudo ou Nada - Episódio 04

UMA PRODUÇÃO ORIGINAL STAR MAIS

CRIADO E ESCRITO POR FELIPE VASCONCELLOS

SUPERVISÃO DE TEXTO ANTÔNIO VINÍCIUS BARBOSA

TUDO OU NADA

ep 4

CENA 1. CASA LONGARAY. QUARTINHO. INT. DIA.

Liége trouxe sua mãe Iane para morar com ela. E está apresentando seu quartinho. Liége entra empurrando Iane numa cadeira de rodas. Iane está com uma cara terrível, amargurada, brava. 

LIÉGE — Eu fiz questão do Giovanni comprar a maior casa que ele conseguisse. Agora, que senhora vai morar com a gente, precisamos de bastante espaço. Esse é o seu quarto.

IANE — É isso?

LIÉGE — Que foi, mãe?

IANE — É isso? Vocês vão me enfiar num cubículo como esse? Depois do que você fez comigo, Liége, é isso que eu mereço? Morar num quartinho nos fundos?

LIÉGE — Desculpe, mãe. Esse é o único quarto do primeiro andar.

IANE — (gritando alterada) Não interessa! Não é isso que eu mereço! Era pra eu estar em casa, cuidando das minhas coisas, fazendo a minha comida! (não contém o choro) A culpa deu estar sentada encima dessa porcaria, sem poder coçar a própria bunda sozinha, é sua! Num quartinho nos fundos? Do lado da área de serviço, Liége?!

Liége se debulhando em lágrimas, sente-se muito mal.

IANE — Vocês venderam a minha casa pra ajudar a comprar essa. Nada mais justo que eu fique com o maior quarto da casa.

CENA 2. CASA LONGARAY. QUARTO IANE. INT. DIA.

Um quarto bem amplo, com banheiro e varanda. Liége entra empurrando sua mãe na cadeira de rodas. Iane analisa o quarto.

LIÉGE — Esse aqui é o melhor quarto da casa.

IANE — Perfeito pra viver meus últimos dias.

LIÉGE — Não fale assim. Tem varanda, banheiro. Podemos usar esse armário para guardar algumas coisas. O único problema é que cada vez que a senhora tiver que sair, alguém vai ter que/

IANE — (corta) Não se preocupe com isso. Eu pretendo nunca mais sair desse quarto. Você conseguiu me prender, pra sempre.

LIÉGE — Mãe, por favor...

IANE — Pode sair. Quando eu precisar eu te chamo.

LIÉGE — Eu ainda tenho que arrumar o/

IANE — (gritar) Sai!! 

Liége sai do quarto. Iane olha os cantos do quarto. Passa a mão no pescoço, e começa a chorar sentindo uma angustia que chega doer.

CENA 3. PENITENCIÁRIA. PÁTIO. EXT. DIA.

Plano geral do pátio onde ficam os presos tomando banho de sol. Com a legenda: DEZ ANOS DEPOIS. 

Christian de costas para a CAM.

CHRISTIAN — É hoje!

Se vira, e mostrar seu rosto abatido, suado com a barba enorme.

CENA 4. PENITENCIÁRIA. GALERIA. INT. DIA.

CARCEREIRO — Christian Moraes! Christian Moraes! Christian aparece dentre os presidiários e chega até o carcereiro.

CHRISTIAN — Tô aqui! Aqui! Bem aqui.

CARCEREIRO — Me acompanhe.

CENA 5. PENITENCIÁRIA. SALA DIRETOR. INT. DIA.

O diretor da cadeia é claro e sucinto.

DIRETOR — Seu pedido de apelação foi aceito pelo juiz. Você é um homem livre.

CHRISTIAN — Jura? É isso mesmo? (eufórico) Quer dizer que eu não vou precisar mais dormir em colchonete no chão? Que não vou precisar apanhar por resto de comida? Que não vou precisar me masturbar olhando aquela foto da Monique Evans careca? Meu Deus! Isso é bom de mais pra ser verdade!

DIRETOR — Se não parar com a palhaçada, eu consigo te deixar em cárcere por mais uma semana.

CHRISTIAN — Parei!

Christian não se contém, vibra de felicidade.

CENA 6. PENITENCIÁRIA. FRENTE. EXT. DIA.

Os portões se abrem. Christian aparece saindo. Ele respira fundo, olha em volta e vê um carro estacionado. Vai até ele. Desce do carro Darwin.

DARWIN — Até que enfim!

CHRISTIAN — Cara... hoje, é um dos melhores dias da minha vida. Acabou! Livre.

DARWIN — Livre como um passarinho. Agora, deixa eu te falar uma coisa aqui, ô passarinho. Pra onde cê quer ir? Pras puta?

CHRISTIAN — (risos) cara, eu quero comer! Mas não isso, não ainda. Preciso urgentemente de um hambúrguer! Pra ontem! Quero muito, eu daria minha alma por um triplo com bacon!

DARWIN — Bora, bora, bora...

Eles entram no carro.

CENA 7. RUAS. CARRO DARWIN. EXT. DIA.

Tocando um hip-hop sem letra no rádio.

CHRISTIAN — Cara, essa carro tá cheio de lixo. Credo.

DARWIN — Queria que eu lavasse o carro pra ir te buscar, só o que falta, né?! Não lavo nem quando vou buscar minha noiva.

CHRISTIAN — Noiva? Nossa... quem diria.

DARWIN — É, não, agora tô comportadinho. Lorelaine! Coisa mais linda. Uma negona com uns beiços que deixa qualquer um de quatro. Que beiço! Cara, mudei meus conceitos, sabe?! Por que ter um relacionamento assim é sinal de que você vai transar sem precisar pagar.

CHRISTIAN — Você não mudou nada, continua falando as mesmas asneiras de sempre.

CENA 8. LANCHONETE. INTERIOR. NOITE.

Christian devorando um hambúrguer como se fosse um leão. Darwin assistir tomando um refrigerante de canudinho.

DARWIN — Calma, cara. O boi já tá morto, não vai fugir.

CHRISTIAN — (boca cheia) Não tem noção por quantos anos eu desejo por esse momento.

DARWIN — Vai fundo. Vou pedir outro. Conta aí! É verdade que pra sobreviver vocês tem que virar mulherzinha lá dentro?

CHRISTIAN — Tá maluco?!

DARWIN — Sim, os fraguinhos assim que nem você não tem como se defender sozinhos. Não arrumou nenhum machão, negão de cavanhaque e careca pra você?

CHRISTIAN — Fecha essa boca. Isso não é verdade. Besteira. Tomei muito soco, porrada. Isso sim. Eu usei muito a mente lá dentro, se não estava fudido. 

Mostrar um homem suspeito observando eles, chamamos de Richer.

DARWIN — Agora, conta pra nós? Cadê o colar?

CHRISTIAN — Ainda pensando nesse colar?

DARWIN — Desde que você foi preso. Há dez anos, eu não me esqueço desse colar. Que foi por causa dele que você ficou naquela prisão como um/

CHRISTIAN — (corta) Darwin, cê fala demais. Calma.

DARWIN — Ao menos diz se você sabe onde ele tá.

CHRISTIAN — Sei! Não teve um dia lá dentro que eu não pensei no lugar onde eu deixei.

DARWIN — ONDE?

CENA 9. CASA LONGARAY. FRENTE. EXTERIOR. DIA.

Plano geral da frente da casa. Darwin e Christian do outro lado da rua.

 DARWIN — Ali?! Nessa casa?

CHRISTIAN — Essa mesma. Naquela época ela estava em construção, não estava assim. Tá bem diferente. Mostrar em outro ponto Richer, dentro de um carro. Falando no celular.

DARWIN — Tem gente morando lá. Algum pedreiro deve ter encontrado.

CHRISTIAN — Espero que não, eu deixei bem num mocó. Na tubulação de ar. Mas a única maneira de saber, é vendo.

DARWIN — Em que parte da casa?

CHRISTIAN — Num dos quartos.

DARWIN — Beleza! De noite, a gente vem, abre e...

CHRISTIAN — Não!! Nem pense nisso. Não quero voltar pra cadeia. Vou dar um jeito de entrar nessa casa, com autorização dos donos, catar o colar e saltar fora! Eu vou fazer de tudo pra não voltar pra cadeia de novo!

DARWIN — Sentiu o cutuque da cadeia, né?! Agora, taí todo cagado. Mas é isso mesmo... como vai fazer pra se infiltrar lá dentro?

CHRISTIAN — Ainda não sei. Preciso pensar.

Eles param um pouco. Cortes dados, eles esperando. O sujeito continua espiando os dois. Darwin saiu para comprar algo pra comer. Ele volta com salgadinhos.

DARWIN — E aí? Nada?

CHRISTIAN — Nada.

DARWIN — (oferece o salgadinho) Você quer?

CHRISTIAN — Não, obrigado.

DARWIN — Eu que agradeço. (comer) ... Ih, olha lá!

Caminhando pela rua está Thailyz. Ela chega até o portão da casa e entra.

DARWIN — Viu a gordinha? Entrou na casa.

CHRISTIAN — (pensa) Espero que ela não tenha namorado.

DARWIN — No que tá pensando?

CHRISTIAN — Me dá teu celular!

DARWIN — O que? Pra que?

CHRISTIAN — Rápido! Me dá! 

DARWIN — 9478...

CHRISTIAN — Para, idiota! Tô falando do aparelho!

DARWIN — Ah, tá! Não explica.

CHRISTIAN — Muito burro.

DARWIN — (entrega) Pra que quer meu celular?

CHRISTIAN — Onde desliga essa merda? Aqui. Eu já volto.

Christian corre para frente da casa. Darwin observa. Christian tocou a campainha. Quem vem atender é Thailyz.

CHRISTIAN — Oi! Boa tarde!

THAILYZ — Boa tarde!

CHRISTIAN — Você estava passando aqui agora pouco, e você deixou cair o seu celular. Eu tentei te alcançar, mas você entrou.

THAILYZ — Ah, não, moço. Esse aí não é meu celular, não. O meu tá lá dentro!

CHRISTIAN — É sério? Poxa vida, eu pensei que você tivesse perdido. Vi você passando. Bom, eu gostaria de devolver esse celular, a pessoa deve estar apavorada atrás dele. Eu lembro quando eu perdi o meu, nossa, todos meus contatos e fotos...

THAILYZ — Ai, é verdade, hoje em dia o celular é tudo.

CHRISTIAN — O ruim é que eu tentei ligar, mas está sem bateria. Aí, fica mais difícil.

THAILYZ — Hum. Deixa eu ver. Eu tenho um carregador pra esse celular, eu posso emprestar. 

CHRISTIAN — É? Bom, seria ótimo. Nada melhor do que fazer o bem ao próximo, não é?!

THAILYZ — Entra aqui, rapidinho.

Thailyz entra na casa, Christian antes de entrar na casa faz um sinal de “yeahh...” para Darwin.

DARWIN — Que bandido, sem vergonha... ele conseguiu. 

O homem que está observando-os de longe disca algo no celular, e torna a falar pelo celular, como se tivesse passando a informação para alguém.

CENA 10. CASA LONGARAY. SALA. INT. DIA.

Thailyz entra com Christian vindo logo atrás.

THAILYZ — Pode esperar aqui, rapidinho, eu já volto. Vou pegar o carregador no meu quarto.

Thailyz sobe as escadas, mostrar a sala, bem ampla, com alguns objetos rústicos e outros modernos. Vasos, e quadros que tem algum valor. Bem bonita a decoração. Christian observa bem a casa, toca em alguns objetos. Desce as escadas em CAM objetiva: calmamente, vai até um ponto da sala olhando para Christian, que ainda não reparou na presença de alguém. Revelar Liége. Christian a vê e leva um susto, e ao reparar quem é se espanta mais ainda, ele reconhece aquele olhar. Liége com um olhar curioso, o encara, e a tela rapidamente escurece.

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DARWIN — Eita climão. Agora eu quero continuação dessa porra.

FIM DA PRIMEIRA TEMPORADA

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